Por que gostamos de ‘fake news’?

Por que gostamos de ‘fake news’?

As notícias falsas são uma espécie de refinamento daquilo que faz parte da nossa interação social ao longo das nossas vidas, como a fofoca, os boatos, a detração. Sempre fez parte, e deve datar antes mesmo da descoberta da escrita.

O que é inusitado hoje é que dispomos de um arsenal imenso de tecnologias pra pesquisar se determinada informação é falsa, verdadeira – ou outro adjetivo que esteja no intervalo entre esses dois antônimos -, e mesmo assim temos uma grande quantidade de fake news circulando pela internet – e fora dela (o “leite com limão faz mal” deve ser uma espécie de fake news default no brasileiro rs). Sites como e-farsas e o boatos.org fazem um excelente trabalho, mas se mostram pequenos diante da poderosa onda de compartilhamento das notícias falsas.

Penso que por uma série de razões: naturalmente, o ser humano gosta de uma fake news, em especial se ela reforça determinados preconceitos e ideologias – óbvio que o senso crítico, formação e acurácia intelectual nos fazem filtrar a percepção daquilo que lemos. Técnicas podem enganar nossa percepção, como o clickbait, uma leitura preguiçosa apenas do título da matéria ou a apreensão falsa de uma imagem que estampa uma notícia.

Acontece que fenômenos como este fazem parte dessa nova mudança de era, pois lidávamos com a notícia de um jeito específico e agora qualquer um pode ser ‘produtor’ de notícias. Vai demorar um pouco, mas acredito que vamos nos adaptar, nem que para isso tenhamos que voltar ao passado e adotar a máxima de Tomé: “só acredito vendo” – e isso se o VR não tiver tomado conta do nosso cotidiano.

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